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Exclusivo com Nigel Winterburn (ex-Arsenal): A conquista do título e a final da Liga dos Campeões

Horas antes do empate do Manchester City em Bournemouth (1-1) confirmar o título do Arsenal, o Flashscore conversou com Nigel Winterburn. O quinto jogador com mais jogos pelos gunners, com títulos conquistados sob o comando de George Graham e Arséne Wenger, que teve muito a dizer ao comparar essas equipas históricas com os novos campeões de Mikel Arteta.

- O que achou da última vitória do Arsenal por 1-0 frente ao Burnley, a nona vez que venceram por esse resultado esta época?

A primeira parte foi muito controlada, com muita posse de bola, e criaram três ou quatro boas oportunidades. Mas, como se sabe, ao intervalo com 1-0, não importa o quão dominador se é, quando se persegue o primeiro título da Premier League em tanto tempo, os nervos aparecem. Notava-se esse nervosismo na segunda parte, tanto no relvado como nas bancadas. Mas o Arsenal tem sido muito resiliente esta época, super organizado. Frustrou muitas equipas e, mais uma vez, conseguiu segurar mais uma vitória. É fácil criticar, mas quando se vê a disciplina dos cinco de trás e o esforço coletivo, começa-se a valorizar. Por vezes, o lado defensivo do jogo é tão impressionante como o ofensivo, mas passa despercebido porque as pessoas esperam ser entretidas com golos e não com organização.

- Diria que a organização defensiva é a maior mudança que viu no Arsenal de Mikel Arteta esta época em relação aos anos anteriores? Ou talvez a nova arma nas bolas paradas?

As bolas paradas sempre foram uma parte crucial do futebol. Costumo chamá-las de ‘golos baratos’ porque, se fores muito forte nesse aspeto, colocas o adversário sob enorme pressão. Mas a organização pode ser a diferença-chave. Este é, sem dúvida, o plantel mais forte que o Arsenal e Arteta já tiveram. Nem sei se as equipas de há duas épocas teriam resistido a algumas das tempestades defensivas que esta equipa superou. Por vezes, quer-se ver emoção e futebol ofensivo, mas, como sei de 1989 e 1991, quando joguei numa grande defesa, é muito poderoso para uma equipa quando todos compreendem o lado defensivo. Se este Arsenal marca um golo, acreditamos que vai segurar o resultado, e isso é algo que têm feito muito esta época.

- Quais são as maiores semelhanças e diferenças entre esta equipa de Arteta e as equipas campeãs de Arsene Wenger ou George Graham em que jogou?

- Há mais semelhança com George Graham: organização forte, disciplina e grande ênfase no lado defensivo. Com Arsene Wenger, ele confiou na defesa que herdou, depois acrescentou criatividade no meio-campo e no ataque e jogava de forma mais aberta e direta, arriscando mais do que esta equipa atual. O modelo atual de Arteta tem mais desse estilo de George Graham. Organizado e talvez menos disposto a arriscar do que as equipas mais expressivas de Wenger.

- Que jogadores desta equipa atual do Arsenal acha que teriam sido titulares nas suas equipas campeãs?

Perguntam-me isso muitas vezes, e por vezes a questão é ao contrário: os jogadores da minha equipa encaixariam agora? É muito difícil dizer porque o futebol era muito mais físico naquela altura. Alguns dos jogadores de hoje provavelmente adaptavam-se, mas seria um choque inicial. A verdadeira questão é a mentalidade e a integração no grupo. No fim, os melhores individualmente nem sempre fazem a melhor equipa ou plantel, é sobre como encaixam no sistema e se puxam uns pelos outros para serem melhores.

- Há algum jogador do Arsenal atual com quem teria gostado mais de jogar lado a lado?

Se inverter a questão, teria adorado ver o Henry ou o Bergkamp nesta equipa. Quanto aos de hoje, o Saka destaca-se claramente. Tem sido um prazer acompanhar o seu desenvolvimento. O Declan Rice tem sido um verdadeiro pilar, e os dois centrais têm estado muito fortes. Há vários com quem teria gostado de jogar, mas não trocaria os meus antigos colegas porque a sua ambição pelo sucesso era o que os distinguia.

- O que acha que mudou mais com Arteta para transformar o Arsenal de "quase lá" nos últimos anos em campeão?

Olhando apenas para as últimas épocas, o plantel está muito mais forte agora. Na época passada, o Arsenal teve muitas lesões, mas não creio que estivessem no topo se o plantel não tivesse melhorado desde então. Houve jogadores que eram incógnitas no início da época e que agora desempenharam papéis fundamentais. A maior diferença é a profundidade do plantel. O Arteta tem agora opções reais no banco, e isso é crucial em jogos apertados e sem golos, não só quando se está confortável na frente. A lesão de um jogador não deve comprometer toda a época, e essa força em profundidade foi o que mais impacto teve.

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- Viktor Gyokeres, contratado por uma verba elevada, atingiu grande forma na fase final da época. Participou em sete golos na primeira metade, mas em 17 na segunda metade da temporada. Como vê a sua evolução na equipa?

Nas últimas semanas, as suas exibições têm estado noutro patamar. Teve muitas dificuldades no início. O que tinha visto dele antes de chegar ao Arsenal mostrava a sua força, velocidade e vontade de enfrentar defesas, mas isso não apareceu logo. Parecia pesado. Com o tempo, melhorou a forma como segura a bola, ganhou alguma velocidade, talvez pela confiança depois de marcar. Agora os jogadores percebem o que ele precisa e há uma confiança crescente entre ele e a equipa. No início, fazia muitas desmarcações que não eram aproveitadas. Está muito mais confortável e integrado agora do que em qualquer outro momento.

- David Raya conquistou mais uma Luva de Ouro e muitos adeptos dizem que é o elemento diferenciador da equipa. Como avalia as suas exibições este ano?

Excecional, um guarda-redes inacreditável a defender remates. Não foi perfeito; cometeu um ou outro erro, mas o que se quer num guarda-redes é alguém que comande a área e transmita confiança à defesa. O grande ponto com o Raya é que, tal como o David Seaman, faz defesas enormes nos momentos decisivos, quando realmente importa. É isso que se espera do guarda-redes em jogos apertados e cruciais, não quando já se está a ganhar por 3-0. No geral, as suas exibições foram sensacionais esta época.

- Houve uma vitória dramática frente ao West Ham, com polémica nos minutos finais. Houve algo controverso na decisão do árbitro ao anular o golo dos hammers por falta sobre o Raya?

É sempre polémico, somos o Arsenal e todos nos odeiam! Se analisar, sempre que se faz demasiado contacto com o guarda-redes é normalmente falta, embora os critérios sejam diferentes para os jogadores de campo. No lance em si, disse logo que o golo seria anulado quando vi a repetição. Acho que o futebol caminha para apertar mais com esse tipo de agarrões nos cantos. Vê-se isso todas as semanas. Não sei como vão mudar, mas para mim, o árbitro esteve bem nessa decisão.

- Olhando para a frente, o Arsenal vai defrontar o PSG na final da Liga dos Campeões em Budapeste. O que pode o Arsenal fazer para impedir o PSG de repetir o sucesso nas finais?

Na época passada, o PSG atingiu o auge na fase a eliminar, mas vencemo-los com facilidade na fase de grupos. As meias-finais foram muito equilibradas entre as duas equipas. Este ano, espero novamente um jogo muito renhido. O Arsenal tem de estar no seu melhor defensivamente para travar o poderio ofensivo do PSG. Mas se o Arsenal conseguir recuperar a bola alto, pode causar problemas ao PSG atrás. Da última vez que jogámos contra eles, o Donnarumma teve de fazer várias defesas incríveis para os levar em frente. O Arsenal tem de defender na perfeição e, quando tiver oportunidades, estar pronto para as aproveitar com velocidade e força. Acho que vai ser uma final muito equilibrada.

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