António Simões realçou o percurso do futebolista, que, ao nível de clubes, se notabilizou no Belenenses e que o acompanhou na seleção nacional, em especial no histórico Mundial de 1966, tendo revelado uma conversa que manteve com o antigo avançado canarinho, que se sagrou campeão do mundo pelo Brasil em 1958, 1962 e 1970.
“Passados alguns anos (do Mundial de 1966) encontrei-me com Pelé nos Estados Unidos e em várias conversas que tivemos, nas quais ele tinha o carinho de me tratar por ‘Baixinho’, não deixou de falar do Vicente. Virou-se para mim e perguntou ‘Baixinho, o que é feito daquele ‘pretinho’ que nunca me deixava jogar? Ele nunca se esqueceu dessa história, e por boas razões”, lembrou à Antena 1, no decorrer das cerimónias fúnebres de Vicente Lucas.
Emocionado pela perda do amigo e antigo companheiro de seleção, António Simões realçou o feito que este alcançou no jogo realizado entre Portugal e Brasil no campeonato do mundo de 1966, em Inglaterra, e que a equipa das quinas venceu por 3-1. “Veja como foi possível jogar bem contra Pelé, tudo fazer para que o ‘Rei’ não jogasse bem”, recordou, com nostalgia.
Esse triunfo garantiu a passagem de Portugal aos quartos de final da competição e simultaneamente afastar o conjunto brasileiro, que se apresentava em prova como campeão em título. Os lusos ultrapassariam ainda a Coreia do Norte (5-3) e apenas cairiam perante a anfitriã Inglaterra, nas meias-finais (2-1), arrecadando o terceiro lugar final, com uma vitória sobre a União Soviética (2-1).
Nascido em Moçambique, mas com dupla nacionalidade, Vicente Lucas somou 20 internacionalizações pela seleção principal de Portugal, quatro das quais na fase final do Campeonato do Mundo de 1966.