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Irão: Seleção de futebol feminina é recebida em festa no regresso a Teerão

"Em primeiro lugar, estamos muito felizes por estar no Irão, porque o Irão é a nossa pátria", afirmou a meio-campista Fatemeh Shaban.

À chegada da equipa, uma multidão acenava com bandeiras, enquanto algumas jogadoras seguravam ramos de flores e autografavam o que pareciam ser mini-bolas de futebol. A imprensa iraniana tinha noticiado que a equipa regressaria na quarta-feira.

"Não esperava que tantas pessoas viessem dar-nos as boas-vindas, e estou feliz por ser filha do Irão", disse Shaban.

Duas jogadoras iranianas, Fatemeh Pasandideh e Atefeh Ramezanisadeh, optaram por permanecer na Austrália e têm treinado com o clube Brisbane Roar.

Outras, que inicialmente solicitaram asilo após a equipa ter sido eliminada da Taça da Ásia Feminina, mudaram posteriormente de ideias e afirmaram que regressariam ao Irão.

A seleção iraniana chegou à Austrália para o torneio pouco antes do início da guerra no Irão, a 28 de fevereiro. A equipa ganhou inicialmente atenção mundial quando algumas jogadoras permaneceram em silêncio durante o hino nacional do Irão antes do primeiro jogo na Taça da Ásia. O silêncio foi interpretado como um ato de resistência ou protesto por alguns comentadores e como uma demonstração de luto por outros.

As jogadoras não revelaram publicamente a decisão nem a explicaram e cantaram o hino nacional antes dos dois jogos seguintes.

O primeiro vice-presidente iraniano, Mohammad Reza Aref, rejeitou na semana passada as sugestões de que as mulheres não estariam seguras se regressassem a casa, afirmando que o país "acolhe os seus filhos de braços abertos e que o Governo garante a sua segurança".

Sete membros da delegação começaram por solicitar asilo na Austrália na semana passada, pedidos que foram motivo de constrangimento para os líderes iranianos, e elogiados pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, antes de cinco das sete jogadoras acabarem por mudar de ideias, incluindo a capitã Zahra Ghanbari.

Ativistas acusaram as autoridades iranianas de pressionar as famílias das mulheres – incluindo a convocação dos pais para interrogatórios –, mas Teerão, por sua vez, alegou que a Austrália tentou forçar as atletas a desertar.

O ministro do Interior australiano, Tony Burke, afirmou na semana passada que o Governo passou vários dias em negociações secretas com as jogadoras, que foram levadas para um local seguro depois de deixarem o hotel na Gold Coast na noite em que as sete decidiram pedir asilo.

No regresso a Teerão, a equipa fez uma longa viagem, passando pela Malásia, Omã e, em seguida, por Istambul e entraram no Irão pela passagem fronteiriça terrestre de Gurbulak-Bazargan, entre a Turquia e o Irão.

A agência de notícias iraniana Mehr publicou imagens de uma pequena festa de boas-vindas no lado iraniano da fronteira, bem como da equipa e da comitiva sentadas num palco com um tapete vermelho.

"Reunimo-nos todos aqui para lhes dar os parabéns e expressar o nosso apreço", afirmou o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, segundo notícias divulgadas pela imprensa. "Apesar de serem mulheres, demonstraram coragem e força dignas de um homem", acrescentou.

As autoridades iranianas organizaram esta quinta-feira uma cerimónia de boas-vindas de maior dimensão na Praça Valiasr, em Teerão, onde se realizaram outras manifestações pró-governo nas últimas semanas, de acordo com os meios de comunicação iranianos.

Grupos de direitos humanos acusaram Teerão de pressionar os atletas no estrangeiro, ameaçando os familiares com a apreensão de bens caso desertem ou façam declarações contra a República Islâmica.

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