Cabo Verde estreia-se a 15 de junho frente à Espanha, em Atlanta, em jogo do grupo H, no qual enfrentará ainda o Uruguai e a Arábia Saudita.
No mercado de Sucupira, o mais movimentado da cidade da Praia, Vera Moreira tem uma banca dedicada aos equipamentos dos Tubarões Azuis e diz que a proximidade da estreia ainda não se nota.
“As vendas continuam iguais. O movimento de camisolas está leve”, disse, em língua cabo-verdiana.
Nas proximidades, o comerciante Vítor Semedo está mais otimista e diz que já se nota alguma coisa.
“Quem mais procura são turistas e cabo-verdianos emigrados”, afirmou, acrescentando que parte dos produtos é confecionada a partir de tecidos importados da China, posteriormente trabalhados localmente.
Na Rua Pedonal, no Plateau (centro histórico), camisolas da seleção, bandeiras e panos com as cores nacionais (fundo azul, com pormenores em branco, vermelho e amarelo) estão expostos à entrada de várias lojas chinesas.
Deise Semedo, que trabalha há 15 anos numa dessas lojas, indica que os clientes procuram sobretudo t-shirts de Cabo Verde.
“Ainda não começaram a aparecer muitos (clientes), mas já perguntam mais pela seleção”, disse.
Os produtos são importados da China e os conjuntos custam cerca de 1.000 escudos (9,10 euros) para adultos e 800 escudos (7,27 euros) para crianças.
Noutra loja, Carlos Lopes diz que já houve um pico de procura, em outubro, na altura da qualificação inédita de Cabo Verde para o Mundial.
A poucos metros, o que Vladimir Monteiro mais vende são camisolas da seleção, que os clientes levam para revenda em localidades mais afastadas, como a Cidade Velha ou o Tarrafal, a preços mais elevados devido aos custos de transporte.
No município de São Domingos, a cerca de 20 quilómetros da capital, Luís Cardoso também espera por um aumento do negócio.
“Mais perto do Mundial acho que se pode vender mais”, afirmou, acrescentando que os preços das camisolas nem têm sofrido oscilações.
Ao lado, alguns espaços de restauração começam a preparar-se para a transmissão dos jogos da seleção cabo-verdiana.
Felisberta de Pina, proprietária de um bar em São Domingos, está a adaptar o espaço, para “colocar mesas na rua e instalar uma televisão, de maneira a reunir os clientes e festejar”, afirmou.
Outra empresária, Érica Silva, em Achada Santo António, na Praia, planeia idêntica remodelação: televisão no exterior e atividades paralelas, “para chamar mais pessoas”.
“Os rapazes têm potencial. Talvez estejam com algum medo por ser a primeira vez, mas temos de acreditar que podemos ir longe”, disse a proprietária: quantos mais jogos Cabo Verde fizer, melhor para o negócio.
Entre adeptos, o sentimento é sobretudo de “orgulho” pela presença inédita de Cabo Verde na competição.
“Acredito que os rapazes estão com um bom futebol e que vão seguir em frente”, afirmou Odair Tavares, numa das ruas São Domingos, confiante na continuação além da fase de grupos.
Djony Silva, na Praia, festejou o apuramento, há sete meses, e agora espera “um bom desempenho”.
A Federação Cabo-verdiana de Futebol remeteu para breve a divulgação dos detalhes da convocatória e do estágio da seleção, antes da partida para os Estados Unidos.
Para já, está agendado um jogo de preparação frente à Sérvia, a 31 de maio, no Estádio do Restelo.
Entretanto, Mário Semedo, presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol, anunciou, na sexta-feira, à Rádio Cabo Verde, que os jogadores começam a chegar ao arquipélago na segunda-feira e que haverá apresentações da equipa nalgumas ilhas, antes de serem condecorados pelo Presidente da República, no dia 23 de maio.
O Mundial-2026, que decorre de 11 de junho a 19 de julho, contará pela primeira vez com 48 seleções, apurando-se para a fase a eliminar os dois primeiros de cada um dos 12 grupos, bem como os oito melhores terceiros.