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FC Porto campeão: Milhares na Ribeira fizeram a festa do 31

A longa espera terminou por volta das 22:00, coincidindo com a chegada pelo rio da comitiva, anunciada com fogo de artifício e um espetáculo de drones luminosos, que iam formando imagens. No céu já estrelado da Invicta, formou-se um dragão, mais tarde substituído pela camisola dois (envergada pelo malogrado Jorge Costa), o símbolo do FC Porto e terminou com a frase “Seguimos juntos”.

Com as duas margens lotadas e o rio repleto de embarcações, o capitão Diogo Costa saudou a partir da embarcação os adeptos, a quem agradeceu todo o apoio.

Obrigado por acreditarem em nós”, disse o internacional luso, antes de anunciar que “o campeão voltou”.

Muitas horas antes, ainda o jogo frente ao Santa Clara - que os azuis e brancos venceria por 1-0 - não tinha começado e, já a Ribeira, assim como todos os acessos, estavam praticamente intransitáveis, não deixando ninguém indiferente.

A vida própria desta zona, normalmente por conta dos turistas, ganhou novos protagonistas, com centenas de adeptos, um número que rapidamente chegou aos milhares, a exibir orgulhosamente camisolas do FC Porto, de várias épocas e diferentes tonalidades, e outros adornos em azul e branco.

As janelas e varandas estavam decoradas com bandeiras e cachecóis, bandeiras maiores acompanhavam o perfil das diferentes escadarias e as buzinadelas crescentes de quem chegava misturavam-se com as de quem procurava encontrar o melhor local para ver passar os novos campeões  

Apanhados neste São João antecipado, dois jovens casais ingleses, de Leeds, ocupavam uma zona privilegiada numa esplanada com vista para a Ribeira. Eles mais faladores e extrovertidos do que elas, mais surpreendidas e atentas ao burburinho crescente, confessavam já ter tomado conhecimento da festa dos campeões, o que antecedeu um erguer de copos no ar e um nada tímido “Porto!".

Prometeram ficar por ali e espreitar depois a festa nos Aliados, ficando a clara sensação de que, naquele momento, àquela hora, quase tudo seria motivo para um novo brinde e mais uma de muitas rodadas, a avaliar pela mesa cheia.

Uns metros abaixo, no centro da Ribeira, perto do Cubo e das esplanadas entretanto retiradas por indicação das forças da ordem, Filomena Carvalho, tripeira de gema, era o espelho de quem sente diferente a festa de um título que, pela primeira vez, passou à porta de casa.

Nem sei explicar esta coisa mais linda. As pessoas, por vezes, têm uma ideia errada da Ribeira, mas somos gente acolhedora, e, poder celebrar o triunfo do nosso clube à porta de casa, não tem palavras”, disse a adepta, de 51 anos. Os olhos brilharam mais ao recordar a passagem pela Ribeira do malogrado presidente Pinto da Costa, na época passada, apesar da ausência de festa.

Isto também é por ele e pelo Jorge Costa, que bem mereciam isto e estar aqui. Não posso também esquecer o atual presidente da Câmara, por nos proporcionar esta grande e merecida festa”, acrescentou, repartindo por todo o grupo de trabalho os méritos do 31.º título.

O FC Porto vencia o último jogo (1-0 diante do Santa Clara), mas o desfecho quase passou ao lado de muitos daqueles que iam a afinar as vozes e ensaiavam danças e coreografias, numa festa cada vez mais ruidosa, mas algo dispersa.

Tudo mudou assim que a animação passou para a mesa de som, no improvisado palco, centrando a atenção dos presentes, dos que se começaram a apresentar na outra margem, no cais de Vila Nova de Gaia, e também de muitos dos que cruzavam o rio em diferentes embarcações. Enquanto isso, o ecrã, atrás do animador de serviço, exibia imagens do início da festa no Dragão, atingindo o seu ponto alto à chegada da comitiva ao cais da Ribeira.

Cerca de meia hora depois, com o dia a despedir-se da cidade, iluminada como no São João, é caso para dizer: “Este é Porto de todos os barcos / Chegam os loucos, saem encantados / E é por ti que o Douro canta os fados / Vem ter comigo aos Aliados”.

A comitiva portista cumpriu o programa e seguiu, em trio elétrico, rumo à Avenida, quase como na deixa de Pedro Abrunhosa, onde milhares de adeptos esperam para celebrar o melhor 31 da história do FC Porto.

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