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Kika Nazareth fala do sonho de jogar no Camp Nou e lembra Benfica: "Tenho muita sorte"

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- Como te sentes antes desta segunda mão da meia-final?

- Estou ansiosa por jogar e por ter esta oportunidade de disputar uma meia-final da Liga dos Campeões feminina no Camp Nou diante dos nossos adeptos, que são os melhores do mundo. Só quero que chegue o dia de amanhã.

- Como geriram o facto de terem tanto tempo para preparar esta segunda mão?

- Tivemos uma semana muito longa, jogámos no sábado passado e estamos habituadas a competir de três em três dias, por isso esta semana pareceu interminável. Mas foi positivo, porque enfrentamos uma equipa muito forte e ter tempo para treinar da melhor forma possível foi importante. Tivemos oportunidade de preparar-nos bem e de estar prontas para o jogo de amanhã.

- O que significa jogar esta meia-final?

- São jogos que queremos disputar. O Barcelona tem uma história enorme, basta olhar para o que aconteceu nas últimas épocas. Estar numa meia-final é o mínimo quando se joga no Barça. Sabíamos que esta meia-final não seria fácil, mas é preciso ter sempre a mentalidade de querer vencer. É por isso que estamos aqui. Sabemos o nível do Bayern, mas temos de focar-nos em nós para chegar mais uma vez à final.

- Jogar no Camp Nou é um fator extra de motivação?

- É um sonho jogar no Camp Nou. Sempre que jogamos lá, o jogo é diferente: disputar uma meia-final naquele estádio dá-nos ainda mais força. Vão estar 50 ou 60 mil, 60 mil mesmo, é preciso que todos venham amanhã, que enchamos o estádio Desde o início, o jogo é diferente porque jogamos em casa, diante dos nossos adeptos que se juntam antes do encontro, que cantam antes, durante o jogo, gritam os nossos nomes... A nossa responsabilidade também é diferente, e essa responsabilidade tem de ser uma motivação extra para o jogo de amanhã.

- Como pensam abordar este Bayern?

- No último jogo frente ao Bayern, elas jogaram muito bem, foram inteligentes e conseguiram fechar o jogo como pretendiam. Mas nós também sabemos fazer as coisas bem. Acho que vão tentar repetir o que fizeram na primeira mão, mas nós também temos o nosso segredo. Espero um jogo complicado, mas é preciso mudarmos algumas coisas em relação ao primeiro jogo para vencer.

- Alguma vez te imaginas ser capitã do Barça?

- Nem sequer tenho noção do sonho que era jogar pelo Barça. Vivo o dia a dia e ser capitã do Barça um dia? Não sei. Não sei se tenho a personalidade para ser capitã de uma equipa, porque não tenho esse... Teria de ser aceite pelos treinadores ou pelas capitãs! Não sei!

- Os adeptos prepararam várias surpresas para vocês antes desta segunda mão no Camp Nou...

- Gosto de ser surpreendida e evito ir às redes sociais antes dos jogos para não ser surpreendida pelo que os adeptos estão a preparar. Lembro-me da final em Bilbau, foi uma loucura. Acho que vocês, adeptos, não imaginam a motivação que nos transmitem antes dos jogos. Dá-nos vida jogar por vocês e ver que dão tudo por nós. Antes, durante e depois do jogo, isso ajuda-nos. Se não têm noção, quero dizê-lo. Sabemos que queremos ganhar por nós, mas também por vocês. Para mim, dar alegria aos adeptos deixa-me feliz.

- Qual é o sentimento da equipa antes do jogo de domingo?

- Somos uma equipa habituada a vencer. Perder ou empatar são situações a que não estamos habituadas. Mas isto é futebol e sabemos gerir as nossas emoções. Ficámos frustradas e tristes depois do jogo, mas antes disso tínhamos celebrado o título (na LaLiga), por isso é preciso voltar a focar-nos rapidamente nos próximos desafios. É bom para nós que o futebol feminino esteja a evoluir e que não se ganhe tudo facilmente. Não é fácil e isso motiva-nos. Fizemos uma excelente semana de treinos, sabemos o nível do Bayern, treinámos com alegria e amanhã temos de vencer.

- Em que é que a Kika que chegou ao Barça há dois anos é diferente da que está hoje aqui?

- Quando cheguei, estava cheia de vontade de começar, queria fazer tudo. Agora estou mais calma, tenho mais paciência, aceitei o meu papel na equipa. As coisas acabam por acontecer. Tenho mais confiança em mim, enquanto quando cheguei duvidei rapidamente. Senti-me um pouco à parte da equipa também por causa da lesão. Agora sou mais uma no balneário, estou com todas. Aos poucos, e hoje estamos aqui. Quando jogo, sou feliz. Sou uma pessoa muito sentimental. Não é só futebol. Chegar a um novo país, a uma nova equipa... Queria sentir-me integrada. Por isso fiz tudo para adaptar-me, não é só futebol, é o Barça, é a Catalunha... Existem questões pessoais que fazem com que me sinta bem.

- O Benfica conquistou o seu sexto título consecutivo na Liga feminina. Quando saíste, o Benfica tinha acabado de vencer o 4.º título. Agora estás no Barça, como vês a tua evolução?

- Acabei agora a minha segunda época aqui. Vivi tantas coisas no Benfica com as minhas melhores amigas. Tenho muita sorte por ter passado por tudo isso. O caminho para conquistar esses títulos é muito difícil, acho que as pessoas não têm noção de como pode ser complicado ser jogadora de alto nível. O tempo passa rápido. Agora estou aqui com as melhores jogadoras do mundo, encontrei uma família. Mudei: penso mais em mim, acredito em mim, estou mais tranquila... Sou muito exigente e quero sempre mais. E chegou o momento de mostrar mais.

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