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No Brasileirão, metade do jogo é com bola parada; veja números

Os jogos da sexta rodada da Série A, mostra levantamento do Flashscore, são os que menos tiveram ação nas dez primeiras rodadas da competição (existem quatro jogos adiados que ainda serão disputados).

Pelos dados consolidados, o Brasileirão registra cerca de 10.300 minutos totais, dos quais apenas 5.350 minutos têm bola rolando. 

O percentual final — 51,9% — traduz em números uma sensação comum nas arquibancadas: quase metade do jogo é consumida por interrupções. Em termos concretos, partidas que chegam a aproximadamente 103 minutos, já com acréscimos, entregam apenas 53 minutos de ação contínua. Os outros 50 minutos se dissolvem em faltas, revisões do VAR, atendimentos, substituições e reposições demoradas.

Apesar do cenário geral, o campeonato mantém uma curiosa estabilidade. A maior parte das rodadas oscila pouco, quase sempre entre 50% e 52% de bola rolando. Ainda assim, há momentos de quebra desse padrão. 

A 9ª rodada, por exemplo, atinge 55,5%, um pico de fluidez raro no contexto nacional. Enquanto a 6ª rodada desce a 47%, evidenciando um futebol muito mais travado.

Mesmo nesses casos, porém, a variação rodada a rodada é menor do que a diferença observada dentro de cada rodada. 

É no recorte jogo a jogo que o Brasileirão se fragmenta de fato: de um lado, partidas com ritmo mais próximo ao padrão europeu; de outro, confrontos em que a bola mal fica em jogo por dois terços de um tempo.

Essa distorção dialoga com uma discussão mais ampla no futebol internacional. Até a Premier League enfrenta o paradoxo de jogos mais longos, mas nem sempre mais jogados.

Médias de bola em jogo na Série A

Média geral de bola rolando: ≈ 51,9%

Melhor rodada: Rodada 9 (55,5%)

Pior rodada: Rodada 6 (47,0%)

Amplitude: ~8 pontos percentuais

A diferença é que, nas principais ligas europeias, o tempo efetivo costuma se manter em patamares mais altos e consistentes — algo que, no Brasil, aparece apenas de forma pontual. Na Inglaterra, a temporada 2024/25 registrou, em média, 57% de bola rolando.

No fim, os números do Brasileirão não revelam apenas um problema de quantidade, mas de distribuição. Não é só que se joga pouco; é que se joga de maneira desigual. E, nesse cenário, o tempo — ou a falta dele — passa a ser um dos protagonistas mais silenciosos do campeonato.

A diferença é grande o suficiente para mudar a natureza de um jogo. Nas dez primeiras rodadas analisadas, há partidas em que a bola ficou em jogo por pouco mais de 43 minutos e outras em que ultrapassou 62 minutos. 

No mesmo torneio, a distância chega perto de 20 minutos de futebol efetivo. Não se trata apenas de um campeonato com pouco tempo de bola rolando, mas de um campeonato em que o tempo de jogo real varia drasticamente. Na prática, há confrontos com quase 50% mais futebol jogado do que outros.

Total de bola em jogo por rodada da Série A

Rodada 1

Total: 1.007 min

Bola rolando: 521 min

→ 51,7%

Rodada 2

Total: 1.030 min

Bola rolando: 537 min

→ 52,1%

Rodada 3

Total: 1.043 min

Bola rolando: 499 min

→ 47,8%

Rodada 4

Total: 718 min

Bola rolando: 351 min

→ 48,9%

Rodada 5

Total: 1.031 min

Bola rolando: 523 min

→ 50,7%

Rodada 6

Total: 1.054 min

Bola rolando: 496 min

→ 47,0% 

Rodada 7

Total: 1.033 min

Bola rolando: 538 min

→ 52,1%

Rodada 8

Total: 1.041 min

Bola rolando: 536 min

→ 51,5%

Rodada 9

Total: 1.000 min

Bola rolando: 555 min

→ 55,5%

Rodada 10

Total: 1.028 min

Bola rolando: 529 min

→ 51,5%

 

 

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