O talento é raro e inegável, mas um Mundial exige cada um no seu melhor. Pelo Santos, este ano, Neymar tem 5 jogos, com 3 golos e 2 assistências. Os números, friamente, são bons e devem ter pesado para a campanha pró-convocatória ganhar força. Mas continuo a achar que o desempenho atual passa muito longe do que um Brasil precisa.
Dos 74 jogos do Peixe desde a sua contratação, no início de 2025, esteve em campo 33 vezes, uma assiduidade de 44,5%. A regularidade neste começo de ano, em que já desfalcou o Santos em 12 das 17 partidas, será um desafio a ser perseguido no curto e médio prazo.
Havemos de concordar que Neymar, nem de longe, lembra o jogador dos tempos áureos, a que muitos se agarram. Não vejo Neymar com a melhor condição de fazer a diferença pelo Brasil num Mundial.
A canarinha precisa de muito mais do que Neymar tem feito. A campanha para a convocatória vem de técnicos, jogadores, imprensa e adeptos.
Cada um tem sua opinião, mas parece forçado querer levar um jogador para o Mundial considerando a possibilidade de um lampejo num momento decisivo. A condição física, com as lesões a surgirem com alguma frequência, impede a necessária sequência.
Vejo a convocatória como improvável. A não ser que o treinador, que garantiu que vai convocar somente atletas a 100% da condição física, mude de ideias.
Não acredito que Neymar merece uma chamada no dia 18 de maio. A presença na pré-convocatória, com 55 nomes, é provável, mas pouco quer dizer.
Uma ausência entre os 55 (o que não seria tão absurdo) ia enfurecer os adeptos de um Neymar que sabemos não ser mais o mesmo. A ida do atacante ao Mundial significava tirar uma vaga a um jogador, num sector tão concorrido, que tem mostrado mais regularidade.
Estamos a falar de uma frente de ataque com Raphinha, Vinícius Júnior, Matheus Cunha, João Pedro, Endrick e por aí...
Não serei convencido que seria justo chamar alguém que está a anos-luz deste quinteto. Neymar tornou-se num jogador comum, que pode ajudar o clube, mas está longe de merecer estar na seleção.
A ausência da convocatória pode ser um dos últimos capítulos da história com a Amarelinha. As várias contribuições estão registadas, mas não são mais necessárias. O tempo de Neymar na seleção passou, foi-se.
Um foco maior no Santos, dividido com os campeonatos de póquer e a Kings League, pode ser o melhor caminho para recuperar a confiança e tentar calar quem tanto o critica.