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Simeone questiona futuro no Atlético após queda na Champions: "Os adeptos querem ganhar"

Ao longo dos 14 anos e meio ao comando dos rojiblancos, Simeone já enfrentou momentos de dor profunda - nenhum como as finais perdidas frente ao Real Madrid em 2014 e 2016. Na altura, em San Siro, admitiu a dificuldade de levantar animicamente o grupo. Hoje, o cenário é diferente: o clube é uma potência consolidada, mas a exigência subiu.

As épocas seguintes têm sido, em grande parte, frustrantes, apesar da conquista da La Liga em 2021, mesmo reconhecendo a dificuldade de competir com os dois gigantes de Espanha, Barcelona e Real Madrid.

"Crescemos imenso em todos os aspetos, somos um clube reconhecido na Europa e no mundo. Mas os adeptos querem ganhar. Chegar a uma meia-final já não chega", afirmou Simeone após o desaire no Emirates (2-1 no agregado das duas mãos).

Entre a identidade e a evolução

Desde o título de 2021, o Atlético vive um debate interno sobre a sua identidade. Simeone, rotulado como ultra-conservador, tem tentado evoluir para um estilo mais expansivo e ofensivo sem abdicar da sua mítica intensidade. Embora a pressão aumente, há sinais de renovação: a presença na final da Taça do Rei (perdida nos penáltis para a Real Sociedad) - a primeira final desde a conquista em 2013 - e a afirmação de novas caras.

O filho de Simeone, Giuliano, tem dado boas indicações, tal como Ademola Lookman, adaptado rapidamente desde janeiro. Na defesa, Marc Pubill destacou-se ao ponto de ser apontado à seleção espanhola para o Mundial-2026.

O adeus de Griezmann e o peso do mercado

Apesar da queda europeia, o percurso até às meias-finais - com o brilho da vitória sobre o Barcelona nos quartos - permitiu uma última grande vénia a veteranos como Antoine Griezmann, que ruma agora à MLS para representar o Orlando City. Koke, cujo futuro também é incerto, foi outro dos pilares elogiados.

"Espero que os nossos adeptos deem ao Antoine (Griezmann) o apoio que ele merece nestes últimos jogos. Koke esteve incrível, foi uma verdadeira lição de como jogar futebol à sua idade", disse o técnico.

Substituir Griezmann será a tarefa hercúlea do clube este verão. O sucesso do próximo projeto depende de não repetir erros do passado, como o investimento de 126 milhões de euros em João Félix em 2019. Se Simeone será o homem a liderar essa reconstrução é a pergunta que fica no ar. Na última década e meia, sempre que surgiram dúvidas, ele escolheu ficar.

Desta vez, o silêncio soa diferente.

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