“A fome e a ambição de querer sempre mais, mesmo depois de ter vencido várias vezes, foram uma grande inspiração. Para mim, ele foi e sempre será o meu pai no futebol. Ele via como pontos fortes várias coisas que muitos treinadores no passado consideravam fraquezas no meu jogo. Entendeu-me desde o primeiro dia”, expressou o médio, numa publicação nas redes sociais.
No domingo, Bernardo Silva alinhou pela 460.ª e última vez ao serviço do Manchester City, ao ser titular na derrota com reviravolta na receção ao Aston Villa (2-1), para a 38.ª e última jornada da Premier League, tendo sido agraciado com uma guarda de honra dos companheiros de equipa e dos adversários quando foi substituído na segunda parte, aos 59 minutos.
Rendido pelo croata Mateo Kovacic, o médio e capitão, de 31 anos, deixou o relvado do Estádio Etihad em lágrimas e foi cumprimentado pelos jogadores das duas equipas, antes de ter sido abraçado já fora do relvado por Pep Guardiola, também a realizar a derradeira partida pelos citizens.
“Antes mesmo de me juntar ao clube, Pep já era uma inspiração para mim. Tornar-me seu jogador e, após nove anos, acabar como o que mais jogou sob seu comando é uma verdadeira honra. Ele chegou ao Manchester City e a Premier League parecia impossível de ser dominada se jogássemos do jeito dele... Bem, estavam enganados. Ele não só dominou, como mudou o futebol em Inglaterra, assim como tinha feito em outros países”, observou.
Bernardo Silva fez 76 golos e 77 assistências em 460 encontros desde que foi contratado pelos ‘citizens’ aos franceses do Mónaco, no verão de 2017, e conquistou 19 troféus: seis edições da Liga inglesa, incluindo o inédito tetracampeonato, entre 2020/21 e 2023/24, três Taças de Inglaterra, cinco Taças da Liga inglesa, três Supertaças inglesas, a única Liga dos Campeões da história do clube e um Campeonato do Mundo de clubes.
“A nível pessoal, a gentileza, a confiança e o respeito que tínhamos um pelo outro enchem-me de orgulho e vão além do futebol. Não poderia estar mais grato pelo que ele fez por mim e pela minha família. Obrigado por todas as memórias e experiências ao maior treinador de todos os tempos”, frisou Bernardo Silva, que se formou e debutou como sénior pelo Benfica.
O médio tem o futuro indefinido, numa altura em que está convocado por Portugal para o Mundial-2026 e pode disputar a principal competição internacional de seleções pela terceira vez, depois das presenças em 2018 e 2022, intercaladas pela conquista da Liga das Nações em 2019 e 2025.
Além de Bernardo Silva, o defesa central John Stones está de saída do City, ao qual chegou proveniente do Everton em 2016/17, precisamente na primeira temporada em Manchester de Pep Guardiola, recordista de jogos (593) - ultrapassou Les McDowall na despedida frente ao Aston Villa - vitórias (416) e troféus (20) no comando técnico dos citizens.