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Nuno Catarino: "Benfica não precisa da centralização"

Contas do clube: "Começo pela parte final, pelo lucro de 29 milhões de euros. Sendo um lucro consolidado, que é uma linguagem que temos de começar a introduzir no léxico dos Benfiquistas, porque a partir deste ano as contas vão ser apresentadas tanto numa perspetiva individual como consolidada, apesar de no passado já termos dado números em consolidado, mas, neste, temos umas normas contabilísticas para o individual, temos o IFRS para o consolidado. Isto são outras nuances, mas para nos habituarmos. Temos, de facto, um resultado de 29 milhões de euros, em que eu destacaria aqui duas componentes. Temos cerca de 6,7 milhões de euros, que é um bocadinho o resultado a que nós chamamos o resultado recorrente do Clube. É a forma como nós, internamente, olhamos para o Clube, ou seja, sem algumas operações extraordinárias que possam ter ocorrido e que ainda ocorrem dentro da esfera do Clube. Mas, sobretudo, sem olhar para o que é o negócio do futebol, que esse teve um resultado líquido de 40 milhões de euros. Depois, o Clube faz a apropriação desse resultado na justa proporção das ações que tem e isso resulta no tal resultado de 29 milhões de euros. O resultado de 29 milhões de euros é obviamente bastante bom. Mas eu gostaria de ressaltar esta parte de estarmos a falar de um aumento de 6% no resultado recorrente operacional do Clube, que aumenta para os tais 6,7 milhões de euros, que eu acho que – se queremos ver o Clube sem o futebol, porque o futebol podemos sempre vê-lo à parte, olhando para a SAD – é talvez a maneira em que se pode ter mais granularidade e melhor entendimento do que estamos aqui a falar".

Leia mais: Benfica apresentou lucro de 29 milhões de euros

Reuniões do Benfica no Parlamento: "Há um nível de conhecimento dos dossiês que é bastante significativo. Estamos a falar com os mais altos representantes dos partidos no Parlamento, que trouxeram os seus especialistas no tema, e sabemos que há bastante conhecimento técnico acumulado. Isso é de salutar. Fomos ter uma conversa produtiva, apresentámos um conjunto de preocupações, também detalhámos um bocadinho o que entendemos ser a especificidade do futebol português, que faz com que o nosso projeto não possa ser um copy-paste de outro projeto. Explicámos também que houve um decreto-lei que foi feito num contexto que já não é o de hoje. A forma como se consome e como se vê o produto já é muito diferente do que era há 10 anos, e o decreto de há cinco anos era baseado no que se fazia há 10 anos. Por isso, há aqui um desligamento, quase, da realidade do decreto-lei. E o decreto-lei, na prática, traz o formato de centralização Big Bang: há um dia maravilhoso em que aparece um mundo novo. Acho que todos já percebemos que não é isso que vai acontecer. E tinha obviamente um pressuposto que era: devolver 300 milhões de euros, que dava para acomodar algum crescimento para o Benfica, um maior crescimento para clubes mais pequenos, algum crescimento para os outros dois grandes, para o SC Braga, para todas as equipas. Ou seja, estávamos num mundo de maravilhas há cinco anos. Acho que todos já perceberam que isso não vai acontecer. Nós não temos estado só a lamentar-nos da situação. Tivemos a oportunidade de fazer propostas concretas, que também temos discutido no meio – com os operadores, nas reuniões da Liga".

Centralização: "A primeira coisa é: o Benfica não precisa da centralização para valorizar o produto que comercializa. Ainda agora foi ao mercado, em condições que já não eram muito fáceis pelo facto de só poder vender um produto para dois anos, quando toda a gente procura um produto a cinco anos, ou a 10 anos. É inaudito ir ao mercado para vender um produto desportivo a 2 anos, porque não há tempo suficiente para um operador, que queira inovar, fazer inovações suficientes no produto para ter resultados. Apesar disso, tivemos um resultado muito melhor do que qualquer pessoa no meio esperava, e muitas pessoas tiveram de engolir algumas coisas que disseram no passado, porque o resultado do Benfica foi superior àquilo que tinha antes, num contexto que eu já defini como adverso, com o qual todos concordamos. Mas, pronto, há esta questão: o Benfica não precisa da centralização. Ponto prévio. Obviamente, estamos num contexto de futebol português e não somos inconscientes. Se há alguma coisa de que não nos podem acusar é de não ouvir as preocupações dos outros, não ter atenção. Nós entendemos que, pelo mesmo problema que o Benfica tinha – mas o Benfica conseguiu negociar, outros não conseguem... –, há clubes que já nem contrato têm. Estão a pedir, estão de mão estendida a pedir contratos muito mais baixos para preencher o gap até 2028. E, quando se chegar a 2028, também não têm uma solução. O que temos dito é que fazem sentido duas coisas na centralização: um adiamento do que está feito para dar tempo para fazer o trabalho de casa, que não foi feito até agora, e repensar um pouco o modelo, mas, sobretudo para estes clubes, que façam uma centralização voluntária, ou seja, se juntem, e isso faz todo o sentido. Juntarem-se 10, 20, 30, quem se quiser juntar. Empacotam o seu produto, tentam vender o seu produto no mercado e temos aqui uma centralização voluntária de quem precisa deste formato como está aqui".

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Valorização do produto: "Se eu acho que podíamos fazer muito melhor como indústria e valorizar o produto de maneira diferente, acho que sim, mas para isso era preciso ter feito um trabalho de campo que também não foi feito nos últimos cinco anos. Estou no Benfica há um ano e meio, mas vi o que dissemos antes. Dissemos sempre o mesmo: há trabalho que é preciso ser feito para valorizar o produto. Não se valoriza um produto onde os nossos jogadores se equipam em balneários... as pessoas não veem, mas não há condições. Em que filmamos para bancadas que estão interditas por razões de segurança, bancadas que não existem... Nem vou elaborar... Um produto em que não conseguimos sequer ainda fazer um investimento em tecnologia semiautomática do fora de jogo, o que faz com que a gente fique ali às vezes três minutos à espera que aconteça a decisão de um fora de jogo. Estamos a falar de investimentos, mas depois também não estamos a falar assim de tanto dinheiro. E o Benfica tem feito investimentos. Aliás, está aqui a Benfica TV, ainda há pouco tempo estivemos a discutir alguns investimentos que vamos fazer na Benfica TV. Temos investido na Benfica TV durante 15 anos. Sentimos que o Benfica faz investimentos, tenta melhorar o produto, vende o produto, até de uma forma diferente dos outros. E não é só a questão de distribuir na Benfica TV, também a forma como vendemos publicidade é diferente. Os outros venderam a publicidade a alguém para vender por eles, e nós vendemos diretamente. Há aqui vários temas em que sentimos que fazemos um esforço para ir mais além. Por isso é que nós dizemos que não precisamos, para comercializar isto melhor, para extrair mais valor do produto. Outros clubes beneficiavam de ter escala, não tenho a maior dúvida. Então, façamos este modelo, de geometria variável, em que cada um faz o que é melhor para si. Alguns deles, é juntarem-se, achamos que faz todo o sentido. Até já se devia ter começado esse processo antes"

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