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Rui Borges lamenta falta de tempo para treinar: "Quando cheguei ao Sporting, eram jogos e jogos"

“Quando cheguei ao Sporting, cheio de vontade, cheguei para lutar para ser campeão e, de repente, quero treinar e não posso treinar. Tenho jogos e jogos e tenho de ganhar. Foi uma dificuldade grande, para mim”, referiu o treinador.

Ao intervir no painel “Treinar no Alto Rendimento” no Fórum da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), em Albufeira, no Algarve, Rui Borges assumiu-se como um “obcecado pelo treino”, dada a sua importância no desenvolvimento da equipa.

O responsável técnico recordou o impacto inicial da chegada ao clube leonino, no qual encontrou um contexto de elevada pressão competitiva, “sem tempo para treinar as ideias de jogo”.

Segundo Rui Borges, a “ausência de tempo para trabalhar todos os momentos do jogo” foi um dos maiores desafios desde a sua chegada, agravado por lesões e pela necessidade de adaptação ao plantel disponível.

“Numa fase inicial foi uma dificuldade enorme, porque não tinha tempo para treinar. Sou muito de trabalhar todos os momentos e acredito que estamos mais preparados para vencer se estivermos bem idealizados com cada momento do jogo específico”, concluiu.

O técnico defendeu que “uma equipa equilibrada em todos os momentos” está mais próxima do sucesso, mas admitiu dificuldades em aplicar esse princípio no atual contexto competitivo.

Segundo o treinador, a exigência do calendário obriga a uma gestão criteriosa do trabalho disponível, com foco no essencial.

“Às vezes é difícil conseguir ir a tudo, por isso coloco o foco no essencial, dentro daquilo que é uma ideia, dentro daquilo que também estrategicamente conseguimos ajustar ou não”, apontou.

Rui Borges adiantou que acredita que a repetição do treino, resulta em melhores prestações da equipa, revelando que há semanas sem treino, seguida de “outra normal e onde se consegue ir buscar alguma coisa ao treino”.

O treinador destacou que essas semanas permitem consolidar aspetos estratégicos e identitários da equipa, refletindo-se no rendimento em jogo.

“Trabalhamos algo que é nosso e chega ao jogo e estamos melhores, porque o treinamos. O não treinar, vamos perdendo alguma coisa, pequenos hábitos, porque não treinamos sistematicamente”, concluiu.

O treinador do Sporting participou numa das conferências do Fórum da ANTF, com Carlos Carvalhal e Paulo Fonseca, este último por videoconferência, no painel que encerrou o evento em Albufeira e no qual participaram mais de mil técnicos durante dois dias.

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