O Gana demitiu Otto Addo do cargo de selecionador principal dos Black Stars a pouco mais de dois meses do Campeonato do Mundo de 2026. A decisão, surpreendente pelo seu timing, mas talvez inevitável pelo rumo, foi tomada após uma longa reunião de emergência entre dirigentes da GFA e o ministro dos Desportos, Kofi Adams, que viajou do Gana para Estugarda especificamente para assistir ao amigável de segunda-feira contra a Alemanha.
É a segunda vez que Addo deixa o cargo, e as circunstâncias desta saída são muito mais complicadas do que as da primeira. A situação já estava definida muito antes do apito final. A goleada por 5-1 sofrida diante da Áustria, em Viena, na sexta-feira, a maior derrota do país em 19 anos, já tinha feito soar o alarme nas mais altas esferas do futebol ganês.
A derrota de segunda-feira frente à Alemanha, selada por um golo tardio de Deniz Undav, que negou ao Gana uma consolação apesar de uma melhor exibição, provou ser a gota de água.
Segundo se sabe, as principais figuras do futebol ganês ficaram profundamente alarmadas não só com os resultados, mas também com a forma como atuaram. Os ganeses perderam os últimos quatro jogos e a confiança que deveria estar a aumentar com vista a uma quinta participação no Campeonato do Mundo foi substituída por ansiedade e incerteza.
Fontes próximas à situação indicam que as declarações de Addo em conferências de imprensa durante a janela internacional pouco contribuíram para aliviar essas preocupações, com as suas respostas comedidas e filosóficas a não conseguir projetar a autoridade e a convicção que o momento exigia.
Talvez o mais prejudicial de tudo tenha sido a informação de que Addo perdeu o balneário. Acredita-se que a rutura da relação entre o técnico e uma parte significativa do grupo de jogadores tenha sido um dos principais fatores que forçaram a GFA a tomar uma atitude. A reunião entre a direção da GFA e o Ministro dos Desportos prolongou-se pela madrugada de terça-feira. Quando terminou, a segunda passagem de Addo como selecionador ganês estava encerrada.
Uma segunda passagem que nunca se afirmou
A segunda passagem de Addo no comando da seleção ganesa será lembrada como um período que prometia muito, mas que acabou por não dar certo. Ao regressar ao cargo com uma boa vontade genuína e apoio público, não conseguiu traduzir essa boa vontade em resultados consistentes ou numa identidade coerente dentro de campo.
Em 22 jogos, os números contam uma história difícil. Addo venceu apenas oito, empatou cinco e perdeu nove.
A equipa marcou 35 golos, mas sofreu 28, e a percentangem de vitórias é de 36,4%, o que é simplesmente inaceitável para um país com a estatura do futebol do Gana, e muito menos para uma equipa à beira de um Campeonato do Mundo.
As nove derrotas durante o período, incluindo a catástrofe na Áustria e o revés na Alemanha, pintaram o quadro de uma equipa que nunca estava bem estabelecida, nunca estava segura de si mesma e nunca estava pronta.
Uma corrida contra o tempo
Agora, o Gana tem a tarefa extraordinariamente difícil de nomear um novo selecionador e integrá-lo ao grupo a tempo de preparar um plantel para o Mundial que começa em junho.
A lista de 26 jogadores deve ser anunciada no final de maio, o que dá a quem assumir o cargo uma questão de semanas para avaliar os jogadores, implementar as suas ideias e construir coesão suficiente para competir contra Panamá, Inglaterra e Croácia no Grupo L.
O perfil preferido é o de alguém que já esteja próximo da equipa - uma figura que conheça os jogadores, compreenda o ambiente e possa começar a trabalhar sem o luxo de um período de adaptação.
Dois nomes surgiram como os primeiros favoritos. O treinador adjunto Desmond Ofei, que fez parte da equipa técnica e conhece bem o plantel atual, está a ser apontado.
O antigo selecionador Kwesi Appiah, que conduziu o Gana ao Campeonato do Mundo de 2014 e tem experiência em grandes torneios, também está na mira.
Independentemente de a GFA olhar para dentro ou para fora, a nomeação terá de ser rápida. A campanha do Gana no Campeonato do Mundo começa contra o Panamá, a 17 de junho, em Toronto, seguindo-se a Inglaterra, em Boston, a 23 de junho, e a Croácia, a 27 de junho.