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João Costa e o título do FC Porto: "O significado principal foi poder dizer que consegui dar a volta por cima"

Na última jornada do campeonato, diante do Santa Clara, João Costa foi lançado por Francesco Farioli nos últimos 19 minutos, cumprindo o sonho de, não só jogar pela equipa principal do FC Porto, como também sagrar-se campeão nacional pelos dragões.

Em entrevista à SportTV, João Costa recordou a festa de camoeão, assumiu que nenhuma outra celebração teve tanto significado e lembrou ainda Jorge Costa e revelou pormenores dos bastidores do FC Porto, incluindo histórias com Bednarek, Rodrigo Mora e Alberto Costa.

Imagens da festa: "Já tinha visto a maioria das imagens e é um sentimento sempre muito especial. Acho que foram momentos únicos para todos, momentos especiais para todos e nunca sabemos quando é que voltaremos a viver momentos destes."

Dimensão da festa: "Foram muitas horas de festa e eu disse que eram momentos únicos porque, presenciar momentos como presenciámos nesta festa, não está ao alcance de qualquer jogador, não são todos os jogadores que o podem vivenciar. Foi uma festa única, não me recordo de algo assim... Já celebrei muitos títulos também enquanto adepto do FC Porto e não me recordo de uma festa tão grande com tanto significado quanto esta."

Felicidade pela família e por Jorge Costa: "Primeiro de tudo, fiquei feliz pela minha família, pela minha mulher e pela minha filha, porque abdico de estar com eles durante muito tempo. Eu dedico-me mesmo muito tempo a ser um profissional de excelência, em ser um super atleta e, por isso, primeiro do que tudo fiquei feliz por elas. Depois, por toda a minha família. E, enquanto portista, também pelo Jorge Costa. Foi uma das pessoas que mais força fez para eu voltar ao FC Porto e que, quando era treinador, também já me tinha tentado contratar por mais que uma vez. Eu estive muito pouco tempo com ele no nosso clube mas foi uma pessoa que me marcou."

Jorge Costa como símbolo do FC Porto: "Para mim era um ídolo. Era uma lenda do clube e era alguém em quem eu me revia. Era alguém que tinha os valores do FC Porto presentes em todos os momentos e, desde a perda irreparável que tivemos, se houve algo em que eu tentei foi, de certo modo, representá-lo, representar esses valores e transmitir o nosso ADN e a nossa mística."

O que lhe foi pedido por Jorge Costa e André Villas-Boas: "Foi transmitir todos os valores do clube, foi também ser um profissional de excelência, que isso é o que nos leva a poder ter o respeito dos outros. É nós sermos um exemplo em todos os momentos, desde ser o primeiro a chegar, estar sempre pronto para ajudar tudo e todos, sempre disponível para treinar mais um bocadinho, sempre disponível para aprender, ouvir, sempre disponível para os outros, para ajudar os outros."

Discípulo no plantel: "Tenho vários. Ao longo da época havia muita gente que vinha como uma ‘folha branca’, não sabia nada do FC Porto. Por exemplo, eu privava muitas vezes com o Bednarek, era o meu parceiro à mesa nos estágios, do lado esquerdo. Muitas vezes ele perguntava-me como é que iriam ser os jogos, qual era a dificuldade deste estádio ou daquele, o que é que significava este jogo ou aquele para o clube. Perguntava-me também sobre a história do clube. Tivemos muitas conversas sobre isso e é uma pessoa que, hoje em dia, todos os portistas vêem como um verdadeiro portista e um verdadeiro líder dentro do campo. Posso dar outros exemplos, não tanto só enquanto portista, mas enquanto profissional, que eu fiz questão de apoiar e ajudar."

Mística aos mais novos: "Eu passava o tempo todo com o Rodrigo Mora e tentei sempre ajudá-lo devido à época que ele teve, em que vinha de ser um grande protagonista. Com a idade que ele tem, dei-lhe o máximo carinho, criámos uma amizade única e tenho um orgulho enorme de ver o homem que está ali. E o Alberto Costa também, ver a maneira como terminou a época... Esse já tinha o seu quê de portismo, mas senti que em muitos momentos lhe dei uma forcinha extra e uma confiança extra. É uma pessoa por quem tenho muito carinho. São dois amigos que eu levo para a vida e sinto que tive importância na época deles."

Diogo Costa: "Sei que o Diogo é um dos melhores guarda-redes do mundo. Não tenho dúvidas que poderá ter interessados entre os melhores clubes do mundo, mas a maior prova que os portistas podem ter é o tempo que ele já cá está. Isso não me deixa preocupado. Ele deve seguir o que o coração dele disser e, até o dia de hoje, o coração dele levou-o a estar cá. Por isso, não me cabe a mim dizer se o Diogo deve ficar cá ou não, mas enquanto portista é um orgulho enorme que ele esteja cá há tantos anos e faço aqui a mim um incentivo para que ele fique cá muitos mais anos".

Reforço para a baliza: "Conheço o João Afonso. Tive a oportunidade de coincidir com ele e dei-lhe os parabéns pessoalmente. Sei que será mais um para ajudar. Sei que terá muito orgulho na equipa de guarda-redes que irá encontrar e em fazer parte dela e que terá orgulho em fazer parte dela. E sei que sairá melhor guarda-redes e melhor pessoa, depois de entrar para este grupo tão único".

Estreia pela equipa principal: "Concretizei vários sonhos. Ser campeão oficialmente, fazer a estreia no meu clube do coração, mas mais do que isso, o significado principal para mim foi poder dizer que consegui dar a volta por cima. Quem reconhece a minha história e quem acompanhou sabe que nem sempre foi fácil, em que, em certos momentos, se calhar o mais fácil teria sido atirar a toalha ao chão, e eu nunca o fiz. Mais do que os sonhos cumpridos, é a mensagem que passamos para as pessoas, é o mais importante. A mensagem que passo é que nunca devemos desistir dos nossos sonhos, não devemos atirar a toalha ao chão".

Braçadeira de capitão: "Sabia que ia jogar, não sabia quanto tempo. O que eu não sabia é que me iria tocar este momento de ter a braçadeira. Soube na hora. Foi uma surpresa do nosso capitão e teve um significado ainda maior, enquanto portista e profissional de excelência. Para mim, um capitão, primeiro de tudo, tem de servir com alma e coração. Depois, tem de ser um exemplo dentro e fora do campo em tudo o que isso implica, e tem de conseguir elevar os outros, conseguir que os outros sejam melhores pessoas e melhores jogadores. Este ato do Diogo em me passar a braçadeira neste momento, fez com que passasse a mensagem que eu realmente era esse tipo de pessoa. Teve um peso ainda maior, e agradeci ao Diogo por este momento e reconhecimento. Tocou-me profundamente e vou levá-lo comigo para sempre".

Único campeão em todos os escalões: "Acho que foi o dia mais feliz da minha vida e da minha carreira. Para mim, já era especial, tudo o que implicasse fazer parte da história do FC Porto já era especial, mas ser o único em alguma coisa, na história do FC Porto é ainda mais especial. É um feito que não está ao alcance de qualquer um, porque foi único, e que servirá de exemplo e de motivação e inspiração para todos os jovens que entraram tão cedo nesta casa como eu entrei. É um legado que deixarei para sempre no FC Porto".

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