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Diretor desportivo confirma: "Se Schjelderup não tivesse marcado ao Real Madrid seria jogador do Club Brugge"

Esta quarta-feira, Dévy Rigaux, ex-diretor desportivo do Club Brugge, confirmou a notícia que o Flashscore revelou.

"Se Schjelderup não tivesse marcado dois golos contra o Real Madrid, seria jogador do Club Brugge. Eu e o Bob Madou (diretor financeiro) estávamos lá (em Lisboa)", revelou Dévy Rigaux ao podcast Midmid.

"Conheço Schjelderup há muito tempo, porque o queríamos contratar quando ele estava no Nordsjaelland. Na altura, estive em Copenhaga por causa dele e, no final, o valor da transferência acabou por ficar tão alto que nós não conseguimos avançar. Mas continuei em contacto com ele. Também falava com o pai dele de vez em quando, porque o pai dele teve bastante influência na transferência", acrescentou o dirigente.

Dévy Rigaux revelou que Schjelderup já estava "convencido pelo projeto do Club Brugge" e que "já havia acordo com os agentes" do internacional noreuguês.

"Depois tivemos conversas telefónicas com o Benfica, também já tínhamos trocado algumas propostas. E foi aí que o Mário Branco, diretor geral do Benfica, me disse: ‘Olha, vamos focar-nos agora apenas neste último jogo da Liga dos Campeões, porque ele tem mesmo de estar presente, a equipa precisa dele. Temos demasiadas lesões, algumas suspensões e isso... Deixa isto passar e pronto. Temos de mudar mais uma coisa ou outra nas condições, mas vamos chegar a acordo.’ Foi o comentário dele. A probabilidade de correr bem era real", acrescentou o antigo diretor desportivo do Club Brugge.

"Lembro-me perfeitamente. Estávamos a jogar nessa altura contra o Marselha, e recebi uma mensagem do Schjelderup, reencaminhada pelo agente dele, do género: ‘Pois, olha... vou ser titular aqui, é muito especial, não estava à espera.’ Foi ao ponto de eu entrar no balneário do Ivan Leko (treinador) antes do jogo e dizer: ‘Os milagres ainda acontecem. O Mourinho colocou o Schjelderup a titular contra o Real Madrid.’ Ao que o Ivan diz: ‘Pois…’ E eu: ‘Bem, temos um acordo com ele, isto vai orientar-se. E o Benfica também vai acabar por aceitar.’ Mas, claro, estou a assistir ao jogo com o Marselha e depois começo a receber aquelas mensagens a dizer que ele marcou dois golos... A dada altura já toda a gente estava a enviar mensagens, ao ponto de eu e o Bob (Madou), a seguir ao jogo com o Marselha, olharmos um para o outro: ‘Vamos amanhã para Lisboa?’ ‘Sim. Sim, amanhã vamos para Lisboa.’ Com a certeza absoluta de que íamos", recordou.

"Durante a noite recebi uma mensagem, que só a vi de manhã cedo, por volta das 6:00. O Mário Branco tinha enviado a mensagem por volta das 2:30: ‘Estou a sair agora do estádio. Só quero dizer-te que amanhã és muito bem-vindo para um café e talvez um pastel de nata ou algo assim. Mas... que fique muito claro: nós qualificámo-nos para a Liga dos Campeões, o Schjelderup marcou dois golos. Isto já não vai acontecer.’ De manhã, reencaminho essa mensagem para o Bob e peço-lhe: ‘Bob, quando acordares, liga-me.’ O Bob liga-me e diz: ‘E agora, o que vamos fazer?’ Eu disse: ‘Acho que devemos ir na mesma. Nós também estamos qualificados. Além disso, o jogador quer vir. Também lhe enviei uma mensagem esta noite. Por isso, simplesmente vamos. Também temos de ser grandes agora.’ Fomos para lá ainda com a crença de que poderia funcionar", contou Rigaux no podcast.

Leia mais: Benfica segura Schjelderup perante o interesse do Club Brugge

O ex-diretor desportivo do Club Brugge confirma que Schjelderup "estava convencido" com o clube belga e que sabia que o Benfica "estava focado noutra pista" no mercado. "Portanto, isso também podia ajudar, o Benfica fazer outra transferência", disse.

"Encontrámo-nos com os agentes do Schjelderup em Lisboa. Depois fomos recebidos no estádio pelo Mario Branco e pelo CEO do Benfica. E nessa altura a posição deles foi mesmo: ‘Pois, isto aqui é muito difícil de explicar. Somos um clube de sócios e... não se pode simplesmente vender alguém, além disso, sim, o preço, etc.’ E depois, à noite, ainda veríamos o Schjelderup, e ele continuava a dizer: ‘Mas eu quero... eu quero ir para o Club Brugge. Quero mesmo fazer isto. Vou dizer isso amanhã, vou ligar agora ao Mario Branco.’ Só que ele estava a caminho do sorteio na Suíça, por isso não atendeu. ‘Também vou dizer isto ao treinador’. Mas depois chegou sábado, ali por volta da manhã, com a mensagem: ‘Pois, eles não me deixam mesmo ir. Chamaram-me ao gabinete do treinador, com o Rui Costa, o presidente, e mais não sei quem... Sim, isto vai ser muito difícil.’ E aí soubemos: ‘Bem, pronto, acabou'", relembrou Dévy Rigaux, que trocou o Club Brugge pelo Feyenoord, onde é agora o diretor técnico do emblema neerlandês.

Recorde-se que Schjelderup estava afastado das primeiras opções de José Mourinho, e contabilizava apenas dois golos e três assistências até ao jogo com o Real Madrid, onde bisou.

A partir daí, o extremo tornou-se titular indiscutível, com o Benfica a rejeitar a proposta de oito milhões de euros, mais três por objetivos, pelo camisola 21.

Schjelderup terminou a temporada no Benfica com um total de 43 jogos oficiais, onde fez 10 golos e sete assistências.

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