O adversário, que já aprontou no Maracanã e vive excelente fase no futebol argentino, coloca à prova um Tricolor que, pela primeira vez na história do torneio, chega à metade da fase de grupos com apenas um ponto conquistado em nove possíveis. Se o objetivo é avançar ao mata-mata, a realidade é clara: não há mais margem de erro.
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Até então, o "chão" do Fluminense em inícios de Libertadores era de 2 pontos nos três primeiros jogos, como ocorreu em 1985 e 2011. A equipe saiu, portanto, de um aproveitamento de 22% nestas duas participações para os pífios 11% atuais. Não à toa, o Tricolor segura a lanterna do Grupo C, ficando atrás até mesmo do modesto Deportivo La Guaira, da Venezuela.
Apesar do momento delicado, o Fluminense ainda depende apenas de si para avançar às oitavas de final. Todavia, o time comandado por Zubeldía terá de buscar a perfeição: a única saída viável é vencer os três jogos restantes para atingir os 10 pontos e garantir a classificação.
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Adversário em estado de graça
Embora a missão pareça acessível, o primeiro desafio do Fluminense nesta trinca de jogos é indigesto: o Independiente Rivadavia. Líder invicto do Grupo C da Libertadores com nove pontos, a equipe vive um momento iluminado, liderando também o Campeonato Argentino com 34 pontos.
"La Lepra" sustenta uma invencibilidade de 10 partidas, acumulando oito vitórias e dois empates no período. O último tropeço foi em 11 de março, quando foi superado pelo Barracas Central por 2 a 1, em pleno Estádio Malvinas Argentinas.
Das raízes latinas que significam 'terras junto ao rio' ao topo do futebol nacional: o Independiente Rivadavia vive um sonho continental. Criado em 1913 pela fusão de duas forças locais e carregando o sobrenome do primeiro presidente do país, o clube finalmente rompeu fronteiras.
A inédita participação na Libertadores de 2026 é o prêmio pela conquista da Copa Argentina do ano anterior, quando o grito de campeão saiu da garganta após uma emocionante vitória nos pênaltis sobre o Argentinos Juniors.
Para manter a fé
A situação é ruim? Com toda certeza. Porém, se existe um clube que gosta de contrariar os matemáticos, este clube é o Fluminense. O Tricolor pode tirar como exemplo sua própria performance na Libertadores 2011. Naquela ocasião, mesmo com um início terrível (2 pontos em 3 jogos), o Fluminense conseguiu uma recuperação épica e avançou às oitavas de final derrotando um time argentino fora de casa.
A missão era ingrata: o Tricolor precisava obrigatoriamente vencer o Argentinos Juniors fora de casa e ainda depender do resultado entre Nacional-URU e América-MEX. Caso os uruguaios empatassem, como de fato ocorreu (0 a 0), o clube das Laranjeiras teria que triunfar por dois gols de diferença.
Em uma de suas melhores exibições naquela temporada, o Fluminense dominou as ações e venceu por 4 a 2. O ponto alto do drama aconteceu nos instantes finais, quando um pênalti controverso foi marcado a favor dos brasileiros, permitindo o gol necessário para atingir a vantagem de dois tentos e chegar aos oito pontos ganhos no Grupo 3.
A classificação, garantida na segunda colocação da chave, foi manchada por uma briga generalizada entre os jogadores logo após o apito final. Mas para o Fluminense aquilo pouco importava. A história já estava escrita.
Agora, 15 anos depois daquela batalha em Buenos Aires, o cenário em Mendoza evoca o mesmo sentimento de "tudo ou nada". O Fluminense entra em campo não apenas contra um Independiente Rivadavia iluminado, mas contra as estatísticas que insistem em decretar o fim de sua jornada continental. Para o torcedor, o consolo reside na ideia de que, se o aproveitamento de 11% é pífio, a história do clube é rica em reviravoltas que desafiam a lógica.
O apito inicial às 21h30 será o começo de uma prova de fogo para o elenco de Zubeldía. Vencer em solo argentino é o único caminho para manter o sonho do bi vivo e provar que o "Time de Guerreiros" ainda habita o imaginário e a realidade das Laranjeiras.