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Panteras Negras tentam travar em tribunal venda do Estádio do Bessa

Em causa está o processo de insolvência do clube campeão nacional de futebol em 2000/01, com o agendamento para a próxima semana do leilão do Estádio do Bessa e do complexo desportivo adjacente, no Porto.

Em comunicado, a claque afeta ao clube portuense diz estar a trabalhar com o seu departamento jurídico para "requerer a nulidade total do processo de insolvência" e suspender a alienação de ativos, visando travar o que classificam como um "desfecho catastrófico".

"Não permitiremos que o património, erguido com o suor de gerações, seja entregue sem que todas as instâncias de defesa sejam esgotadas", lê-se no documento, no qual destacam o papel da claque como "guardiã da mística" face ao que consideram ser o risco de desmantelamento do clube centenário.

A reação da claque surge um dia após o anúncio de que o Estádio do Bessa e o seu complexo desportivo serão vendidos em leilão eletrónico pelo valor base de 38 milhões de euros (ME).

Leia mais: Bessa vai a leilão com base de 31 milhões

O leilão ocorre num momento de "morte lenta" da instituição que acumula dívidas superiores a 150 ME.

No comunicado assinado pelo presidente da associação, Nuno Fonseca, o grupo de adeptos dirige duras críticas à atual direção do Boavista, acusando-a de seguir uma "estratégia suicida" ao avançar para a insolvência sem garantir a aprovação prévia de um plano de recuperação, expondo o clube a um "abismo jurídico sem rede de segurança".

"A direção limitou-se até agora a assistir ao desenrolar do processo de insolvência, nada fazendo de concreto para salvaguardar os bens do Boavista Futebol Clube", acusam os Panteras Negras, apontando ainda a falta de transparência sobre "investidores fantasma" e "promessas vagas" de injeção de capital que nunca se concretizaram.

A claque estende a responsabilidade ao Conselho Geral do clube, defendendo que os seus membros serão "tão culpados por esta catástrofe" como a direção se continuarem a "caucionar este caminho de destruição".

A estrutura liderada por Nuno Fonseca assegura que "não aceita assistir passivamente ao fim do clube" e que esta "não é apenas uma batalha jurídica, mas uma luta pela sobrevivência".

O Boavista, campeão nacional em 2000/01, terminou 11 épocas consecutivas na Liga com uma descida em 2025. Atualmente, a SAD - liderada por Fary Faye - ocupa o último lugar do escalão principal da AF Porto, jogando no Parque Desportivo de Ramalde.

O clube chegou a inscrever-se na última divisão distrital, mas abdicou de competir em outubro de 2025 devido à solidariedade com as dívidas da SAD e impedimentos da FIFA.

Antevendo o colapso do clube, o líder dos Panteras Negras, o mais representativo grupo organizado de adeptos do Boavista, fundado em 1984, fundou o Panteras Negras Footballers Club, em 2025.

Este projeto independente foi apresentado como uma estrutura destinada a servir o emblema axadrezado para a uma reconstrução no futuro.

A associação está legalmente constituída e inspira-se na alcunha do clube, simbolizando a identidade e união dos adeptos axadrezados.

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