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Mircea Lucescu: O arquiteto de uma carreira de meio século

Numa lista dos treinadores mais titulados de sempre, Mircea Lucescu ocupa o 3.º lugar, com 35 troféus conquistados, sendo superado apenas por Sir Alex Ferguson e Pep Guardiola.

"Na verdade, são 37", sublinhava frequentemente Lucescu, defendendo que as promoções alcançadas com o Brescia e o Corvinul Hunedoara também deveriam ser contabilizadas, já que foram obtidas após vencerem as respetivas ligas, mesmo que fossem apenas segundas divisões.

A carreira de treinador de Mircea Lucescu começou em circunstâncias invulgares, no Corvinul Hunedoara, onde durante alguns anos acumulou as funções de jogador e treinador.

Foi ali que lançou as bases de um método de trabalho inovador e revelou jogadores que viriam a tornar-se pilares da seleção romena, como Ioan Andone, Dorin Mateuț ou Mircea Rednic.

O primeiro grande teste internacional surgiu ao comando da seleção da Roménia, que assumiu em novembro de 1981. Lucescu conseguiu o feito histórico de qualificar a Roménia para o seu primeiro Campeonato da Europa, em 1984, depois de eliminar do grupo uma Itália recém-coroada campeã mundial, graças a um memorável 1-0 no estádio "23 August". Foi também ele quem lançou Gheorghe Hagi na seleção, com apenas 18 anos, um gesto que marcou toda uma era do futebol romeno.

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De regresso ao Dínamo em 1985, construiu uma das equipas romenas mais competitivas da época, conquistando duas Taças da Roménia e um título em 1990, ano em que os "dogs" chegaram ainda às meias-finais da Taça das Taças.

A experiência italiana, entre 1990 e 1997, ao serviço do Pisa, Brescia e Reggiana, não trouxe grandes troféus, mas foi uma escola fundamental. No Brescia trabalhou com um jovem Andrea Pirlo e, juntamente com o seu colaborador Adriano Bacconi, desenvolveu um dos primeiros softwares dedicados à análise de dados no futebol, uma visão muito à frente do seu tempo.

O regresso à Roménia, ao Rapid, trouxe o título de campeão em 1999, o primeiro para os giulești em 32 anos, intercalado por uma breve e difícil passagem pelo Inter de Milão, onde trabalhou com Ronaldo, Roberto Baggio e Zanetti, levando a equipa até aos quartos de final da Liga dos Campeões.

Glória na Turquia e na Ucrânia

Seguiu-se a Turquia, com passagens pelo Galatasaray e Beşiktaş, onde conquistou o título com ambos os rivais, além da Supertaça Europeia de 2000 frente ao Real Madrid. Depois, o capítulo mais longo e frutífero da carreira: 12 anos no Shakhtar Donetsk, entre 2004 e 2016, onde transformou um clube ambicioso de Donetsk numa verdadeira dinastia. Oito campeonatos ucranianos, seis Taças nacionais e, sobretudo, a Taça UEFA de 2009, conquistada em Istambul, permanecem como o ponto alto do seu palmarés a nível de clubes.

As passagens pelo Zenit São Petersburgo, seleção da Turquia e Dínamo Kiev trouxeram mais troféus — incluindo um campeonato e uma Taça com o Dínamo Kiev, em 2021, aos 75 anos, confirmando que a sua longevidade não era obra do acaso.

A sua última missão foi novamente na seleção da Roménia, que assumiu em agosto de 2024. Promoveu a equipa à Liga B da Liga das Nações, levou-a até ao play-off para o Mundial-2026, perdido diante da Turquia por 0-1, antes de os problemas de saúde o vencerem definitivamente.

Balanço final: uma carreira de quase 50 anos, 35 ou 36 troféus conforme as fontes, o recorde de jogos dirigidos no comando de uma seleção (307) e o estatuto de único treinador no mundo a conquistar títulos com sete equipas diferentes, um legado impossível de igualar no futebol romeno.

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