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Taça de Portugal: Clubes de escalões inferiores nunca conquistaram troféu

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A meio do play-off de acesso ao primeiro escalão, iniciado na quarta-feira com um empate na receção ao primodivisionário Casa Pia (0-0), a equipa de Torres Vedras disputa a decisão da prova rainha pela segunda vez e tentará inverter a derrota sofrida frente ao FC Porto em 1955/56 (2-0), no Estádio Nacional, em Oeiras, palco da partida do próximo fim de semana.

Há 70 anos, o Torreense tornou-se finalista da Taça de Portugal em plena época de estreia no primeiro escalão, estatuto que deteve por mais cinco vezes, a última das quais em 1991/92, e que almeja recuperar depois do encontro com o Sporting, segundo classificado da Liga, ao ficar atrás do novo campeão nacional FC Porto, falhando a conquista do tricampeonato.

Os leões fecham o pódio do palmarés da Taça, ao acumularem 18 êxitos - não juntam troféus consecutivos desde 2007/08 -, contra 20 do FC Porto, segundo clube mais titulado e derrotado a duas mãos nas meias precisamente pela formação verde e branca, e 26 do recordista Benfica.

Os três grandes triunfaram sempre quando enfrentaram adversários de escalões inferiores na final da segunda prova mais importante do futebol luso, havendo três vitórias do Benfica, uma do Sporting e uma do FC Porto.

Nesse histórico, os leões enfrentaram a única equipa do terceiro patamar que se tornou finalista em 86 edições da Taça de Portugal, com um golo do brasileiro Mário Jardel a bastar para derrotar o Leixões (1-0) em 2001/02.

Apesar desse desaire e de terem falhado posteriormente a subida à Liga 2, os matosinhenses foram às competições europeias na temporada seguinte, enquanto o Sporting quebrou um interregno de sete anos sem conquistas na Taça e comemorou a dobradinha, tal como fez o Benfica em 1942/43.

Na primeira decisão da Taça de Portugal sem ser exclusivamente discutida entre primodivisionários, os encarnados golearam o Vitória FC (5-1), ao marcarem por Rogério Pipi, Manuel da Costa, Julinho, autor de um bis, e Armindo, na própria baliza - Amador fez o único tento dos sadinos.

O Vitória FC tinha ultrapassado o FC Porto nas meias, com um triunfo por 7-0, e pertencia à segunda divisão em 1942/43, mas atuaria na elite na época seguinte, quando, de novo no Campo das Salésias, em Lisboa, o secundário Estoril Praia foi derrotado na final pelo Benfica (8-0).

Rogério Pipi, com cinco golos, Julinho e Arsénio ditaram o resultado mais desnivelado de sempre em jogos decisivos da Taça de Portugal, apesar de os cascalenses até terem afastado o FC Porto a duas mãos nos quartos e subido ao escalão principal como campeões do segundo patamar.

O Benfica voltou a erguer o troféu na terceira final entre representantes de diferentes divisões, ao superiorizar-se em 1961/62 ao Vitória FC (3-0), com golos de Eusébio, por duas vezes, e Domiciano Cavém, num duelo realizado no Estádio Nacional e que antecedeu a promoção sadina à elite.

Na baliza do Vitória sadino estava o já falecido Mourinho Félix, pai de José Mourinho, atual treinador das águias e potencialmente de regresso aos espanhóis do Real Madrid depois da sua segunda passagem pela Luz.

O Benfica não tinha revalidado o título de campeão nacional em 1943/44 e 1961/62, a exemplo do FC Porto em 2009/10, temporada culminada pelos dragões com uma vitória sobre o Chaves (2-1), em Oeiras.

Os colombianos Fredy Guarín e Radamel Falcao nortearam o segundo de três êxitos sucessivos azuis e brancos, tendo o suplente Paulo Clemente concretizado a favor dos flavienses, vindos da descida ao terceiro escalão.

Já em 1989/90, nenhum dos grandes atingiu os quartos e a Taça voltou a ser decidida por clubes de diferentes patamares, com o primodivisionário Estrela da Amadora a ganhar ao Farense, promovido do segundo escalão.

Volvido um empate no primeiro jogo (1-1, após prolongamento), o conjunto da Reboleira superiorizou-se no reencontro com os algarvios no Estádio Nacional (2-0) e arrebatou um inédito troféu, valendo-se dos remates certeiros de Paulo Bento, futuro selecionador português, e Ricardo Lopes.

Vitória FC, Estoril Praia, Farense, Leixões e Chaves ultrapassaram sempre emblemas do escalão principal nas edições em que representaram divisões inferiores na final da Taça de Portugal, à imagem do Torreense, vitorioso nos oitavos perante o Casa Pia em Rio Maior, cidade onde terminará a época com a segunda mão do play-off da Liga.

Esse duelo está agendado para quinta-feira e acontece quatro dias depois da partida diante do Sporting, que tenta evitar uma campanha sem cetros e garantiu pela 80.ª vez a presença dos grandes na final da prova rainha - 55.ª excluindo dérbis e clássicos entre os três clubes lusos mais titulados.

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